
MENSAGEM PARA A SEMANA DOS SEMINÁRIOS
1–8 de novembro de 2020

A Semana dos Seminários de 2020 tem como fonte de inspiração apalavra do Evangelho: «Jesus chamou os que queria e foram ter com Ele»(Mc. 3,13).Ela apresenta de modo sintético os elementos estruturantesda vocação: ochamamentodo Senhor e a respostadosdiscípulos,confirmadapela decisãodeir ter com Ele.A estaluz evangélica se entendemelhor a natureza e a missão dosseminárioscomocomunidades quecongregam aqueles que o Senhor chamou à vocação sacerdotal e sedispuseram a ir ter como Mestrepara aprender comEleeconfigurar avida coma Sua,preparando-se assimpara serem discípulosmissionários.Neste sentidose pronuncioua XVAssembleia Ordinária doSínodo dos Bispos de 2018, reafirmandoque «os seminários e casas deformação são lugares de grande importância onde os jovens, chamadosao sacerdócio e à vida consagrada, aprofundam a sua escolha vocacionaleaamadurecem no seguimento» (DocumentoFinal,nº20).Acitadafrase do Evangelhoaparecenum contexto em queaspalavras e gestos de Jesus de Nazaré enchiam de espanto as multidões ea sua pessoa suscitavagrandefascínionaqueles que Oacompanhavampor toda a Galileia.Volvidos vinte séculos, oreferido Sínodoassinalouque«muitos jovens são fascinados pela figura de Jesus. A sua vidaparece-lhes boa e bela, porque pobre e simples, feita de amizades sincerase profundas, gasta generosamente com os irmãos, nunca fechada paraninguém, mas sempre disponível ao dom. A vida de Jesus permanecetambém hoje profundamente atraente e inspiradora; é para todos osjovens uma provocação que interpela» (Documento Final, nº 82).O chamamento que o Senhor fezentão,continua a fazê-lonosnossos dias.Trata-se deuma escolha livre, uma eleição surpreendente,puro domda graça divinae não resultado dos méritos ou propósitoshumanos. A vocação sacerdotalé, de facto,da ordem do mistério, domistério da liberdade divina que se entrelaça coma liberdade do homem.Àqueles queprimeiroforam chamados, Jesusreafirmará mais tarde:«Nãofostes vós que me escolhestes, fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo.15,16),conferindo-lhesaté adignidade de amigos. O que Eletem aofereceraosseus escolhidos éuma história de amizade profunda, uma história devida plena.A resposta ao chamamento de Jesussuscitounos primeirosdiscípulos a decisão deir ter com Ele.Aproximar-se do Senhor, reunir-secom todos os que querem caminhar com Ele,é o desígnio de quem sedispõe a ser discípulo e sacerdote em nome de Cristo. Aopçãopela vidasacerdotalcomo pedido deingresso ao seminário, exige hoje, porventura

mais do que noutras épocas, uma fé corajosa. Numa cultura que promoveo provisório e induzao experimentalismo,umaopçãode tal radicalidadesupõe uma fécapaz dearriscar,uma féconscientede que é precisodeixaralgumas pedras preciosas porqueseencontrou o verdadeiro tesouro.Desejo queesta Semana dos Semináriossirva para despertaremtodos nóstrês atitudes:gratidão, compromissoeesperança.Damos graças a Deusporque continua a chamar alguns paraserem pastores do seu povo epor todos os jovens e adultos que souberamescutar e responder com generosidade,fazendoparte das comunidadesdos vários seminários do país.Gratidão édevidatambémàs equipasformadoras dos seminários e a todos os professores e colaboradoresquese empenham na exigente tarefa de formar pastores.Sem esquecer ojustoreconhecimento aos seminários pelo seu incomparável papelhistórico, desde os tempos de S.Bartolomeu dos Mártires, na renovaçãoda Igreja e na formação humanaecristã de tantas gerações de jovens detodo o país, incluindo os que não foram ordenados.O compromisso de todos paracom o seminário é indispensável paraqueelecumpra a sua missão. Essa responsabilidade é pedida, antes demais,ao clerochamado a assumiro seu papel no processo formativo eamanifestarsolicitude, comunhão eproximidade para com o seminário.Também àsfamílias e comunidades cristãsse pede quetenhamconsciência da importância do seuapoio e acompanhamentoaosseminaristas.E oscristãosnão esqueçamque o seucompromissoparacom os semináriossepode manifestarde tantas formas:na oração,naajudamateriale outras expressõesde interesse e preocupação.Esperança é o sentimento quepode crescer em nós comacelebração desta semana. Ela funda-se na convicção de queDeus não abandona o seu povo mas, pela ação do Espírito, renova sempre a vida da Igreja e lhe abre caminhos novos.Depositamos também muita esperança nos seminaristas que estão a fazer o seu percurso formativo para serem, na altura própria, os pastores que a Igreja precisa, segundo o modelo de Cristo, Bom Pastor. E esperamos que os jovens eadultos aquem o Senhor continua a chamarnão tenham medo e saibam respondercom generosidade e alegria.
+António Augusto de Oliveira AzevedoPresidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministério